terça-feira, abril 27, 2010

"O mais precioso dos perfumes"



Mas comer um homem? Nunca na vida se teriam julgado capazes de uma coisa tão horrível. E admiravam-se, mesmo assim, por terem cometido aquele acto com tanta felicidade e não sentirem, à excepção da falta de à-vontade, o mínimo peso na consciência. Pelo contrário! Tinham o estômago um pouco pesado, mas o coração alegre. Nas suas almas tenebrosas surgiu um repentino palpitar de alegria. E nos rostos pairava-lhes um virginal e suave brilho de felicidade. Era indubitavelmente esse o motivo por que receavam erguer os olhos e fitarem-se.
Contudo, quando se arriscaram a fazê-lo, primeiro de fugida e depois abertamente, não conseguiram reter um sorriso. Sentiam-se extraordinariamente orgulhosos. Era a primeira vez que faziam qualquer coisa por amor.


Estava tentando pensar o que escreveria hoje. Isso é algo tão difícil. É realmente confortante, mas adquirir ânimo em instantes para escrever algo bom, é tão demorado! Depois descarto o excesso, deixando somente o necessário - se é que isso existe.
Das Parfum, die Geschichte eines Mörders - O Perfume, História de um Assassino - é uma obra do escritor alemão, Patrick Süskind, foi publicado pela primeira vez em 1985. O livro foi inspirado nas teorias de Freud, e conta a história de Jean-Baptiste Grenouille, um homem que possui um olfato extremamente apurado, mas não "consegue sentir o próprio cheiro".
O "carrapado de Grenouille", como é chamado desde o início da obra, nasce no meio das tripas de peixe atrás de uma banca, tendo sua mãe executada tempo depois por infanticídio, passando assim pelos mais variados "tipos de maus-tratos". Após, é abandonado pela ama de leite, e é mandado a um orfanato (acaba assustando as crianças que tentam matá-lo), no qual descobre o "dom" que obtém. Durante a história, somente reparará na sua ausência de odor bem mais tarde, e será "compensada" de certa forma, pela criação de perfumes, que chegam a ser mais ou menos atraentes, utilizados por Grenouille, a fim de ser notado pelos outros.
Trabalhou como aprendiz de curtidor de peles e aprendiz de perfumista, e graças ao seu "dom", enquanto foi aprendiz de perfumista aprendeu diversas técnicas para a criação de perfumes - sendo um deles especial, o "perfume do amor".
Grenouille um dia encontra uma jovem, com um perfume totalmente diferente - guarda esse cheiro na memória -, e acabará por matá-la, já que o desejo de apoderar-se do seu odor. Mas, esta jovem é apenas uma das muitas jovens que o protagonista acaba por matar, tudo em busca do perfume perfeito - feito que adquire no final da obra.
Para finalizar "com chave de ouro", o "carrapato de Grenouille" volta a Paris - depois de ser perseguido e obsorvido das acusações de assassinato, relativo as várias jovens - e é partido aos bocados e comido por pessoas devido ao efeito do perfume que tinha posto: um final trágico para o protagonista - que fez uma das maiores descobertas da humanidade, o "odor do amor".

Devo detalhar que o objetivo principal da obra, que se chama "O Perfume", serve para encobrir o mundo dos fedores, dos crimes, das injustiças e da hipocrisia que caracterizam a cidade de Paris durante o século XVIII.

Por Jessica.

Livro, para quem sentir uma breve vontade < http://www.reidoebook.com/2009/06/o-perfume-historia-de-um-assassino.html > , e o filme é bom, gostei, mas nada substitui o livro, acreditem nisso!

segunda-feira, abril 19, 2010

"Também temos saudade do que não existiu, e dói bastante."

Procura da poesia

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático, não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem; rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície inata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um realize e consuma
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

ANDRADE, Carlos Drurmmond de. Poesia completa & prosa. Rio de Janeiro:José Aguilar,1973.

domingo, abril 18, 2010

"(...) Vá, ragazzo innamorato..."

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia" ( William Shakespeare).

Para complementar meu pensamento, ou para fazer comparações, vou falar de algo realmente básico hoje, o conto "A Cartomante", de Machado de Assis. Foi publicado primeiramente na Gazeta de Notícias (Rio de Janeiro, 1884), sendo incluído na obra Várias Histórias e em Contos: Uma Antologia. A história é narrada em terceira pessoa.
O conto é sobre a história de um triângulo amoroso entre Rita, Vilela e Camilo. Camilo e Vilela são grandes amigos, mas Camilo obtêm um caso com Rita (esposa de Vilela), e o caso ocorre pelo afastamento de Rita de Vilela pelo falecimento da mãe do mesmo. O romance começa com uma diálogo entre Camilo e Rita(sexta-feira de novembro de 1869), que "fala" das constantes visitas à cartomante (que é o quarto personagem), e Camilo nega-se a acreditar nas palavras da vidente.
A vidente é uma personagem que ludibria as personagens principais, desde Rita que crê na ideia de que cartomante pode resolver todos os suas angústias e problemas, até Camilo, que no fim do conto, quando está prestes a ter seu caso desmascardado com Rita, recorre à mesma, que o ilude de forma semelhante a todos os seus clientes. A cartomante usa alegorias, parecendo assim, sábia e "dona do destino", enganando Camilo, que sai depois do encontro, confiante, para a morte.
Logo no início, Machado cita Shakespear - Hamlet -, mostrando desde o princípio o fim trágico do conto, que tentamos reverter acreditando nas palavras da cartomante.Machado visa nessa obra que ceticismo vença a crença, o misticismo e a superstição (isso é o que os leitores querem de desde o começo, afinal é difícil "crer na realidade").

Por Jessica.

P.s: Para quem quiser leu, e jamais sentiu interesse, <
http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/cartomante.html >. E para quem já leu e teve a boa vontade de ler outros posts antigos, comparem - foi o que disse antes de começas a escrever tudo isso. Até.

sábado, abril 17, 2010

"As ondas são anjos que dormem no mar (...)"


O Fantasma

Sou o sonho da tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!


Um pouco de Romantismo? Claro, isso é está entre uma das coisas mais fáceis da vida. Comecei lendo os poemas dele, são realmente bons, não nego, mas são melosos demais ás vezes ( devo repetir e dizer que é Romantismo?).
Manuel Antônio Álvares de Azevedo, nasceu em São Paulo no dia 12 de setembro de 1831 e faleceu no Rio de Janeiro, dia 25 de abril de 1852. Foi escritor da segunda geração romântica, a chamada Ultra-Romântica, Byroniana ou Mal-do-século
- até mesmo Spleen - inspirou-se em Lord Byron e Musset. Foi também contista, dramaturgo, poeta e ensaísta brasileiro.
Para alguns teve uma vida boêmia, e para outros uma vida calma, entretanto suas poesias eram impregnadas de sarcamos e ironias, dor, uma visão surreal sobre o amor, idealizando ás donzelas. Além disso, tem uma ideia fixa sobre a morte, provavelmente pelos traumas que obteve durante a infância (a morte prematura do irmão e de colegas da faculdades), além do estado de saúde em que se encontrava - morreu aos 20 anos de tuberculose.
A dualidade é fortemente percebida em suas obras, que ora parecem ser sentimentais, e ora parecem ser trágicas (mas o pessimismo esteve como alicerce principal em sua obra).
Suas obras disponíveis:
  • 1853 Poesias de Manuel Antônio Álvares de Azevedo, Lira dos Vinte Anos (única obra preparada para publicação pelo autor) e Poesias diversas;
  • 1855 Obras de Manuel Antônio Álvares de Azevedo, primeira publicação da sua prosa (Noite na Taverna);
  • 1862 Obras de Manuel Antônio Álvares de Azevedo, 2ª e 3ª edições, primeira aparição do Poema do Frade e 3ª parte da Lira.
  • 1866 O Conde Lopo, poema inédito.

Por Jessica.

P.s: Gosto dele, acho que é bom você saber balancear o momento exato para cada tipo de poesia, já que existe um "grande leque" de variedades, para todos os gostos (propaganda é a alma do negócio, acima de tudo!).

sexta-feira, abril 16, 2010

"É muito mais fácil matar um fantasma do que matar uma realidade."







"All these voices sounded gratefully in St. John's ears as he lay half-asleep, and yet vividly conscious of everything around him. Across his eyes passed a procession of objects, black and indistinct, the figures of people picking up their books, their cards, their balls of wool, their work-baskets, and passing him one after another on their way to bed (The Voyage Out, Virgínia Woolf)."





Como se fosse uma continuação, de Sylvia para Virginia. Por que estou tão centrada assim ultimamente? Talvez nem eu saiba – ou não. Mas, vamos "trying to keep this". Mas, vou fazer a biografia antes - a da Sylvia me deu um desânimo, perdão por esse ato inaceitável!
Virgínia Woolf nasceu em Londres, 25 de Janeiro de 1882 e faleceu em Lewes, dia 28 de Março de 1941, e ainda é considerada uma das mais importantes escritoras britânicas. Estreou na literatura com The Voyage Out (romance, 1915), seguindo para Night and Day (1919), Jacob's Room (1922), Mrs. Dalloway (1925), The Common Reader (1925 - Primeiro volume), To the Lighthouse (1927), Orlando: A Biography (1928), The Waves (1931), The Common Reader (1932 - Segundo volume), Flush: A Biography (1933), The Years (1937), Roger fry (1940), Between the Acts (1941, publicado depois de sua morte), terminado com Contos Completos (1917-1941, uma coletânea ).
A obra de Virginia modernista (ainda estou devendo um resumo sobre os períodos da literatura, estou me sentindo sobrecarregada, da próxima vez faço um blog sobre algo mais chamativo e menos preocupante, lembrem-me disso!). O fluxo de consciência (utilizado por Clarice também) foi uma de suas marcas mais conhecidas e da qual é considerada uma das criadoras.
Casou-se com Leonard Woolf criando assim, em 1917 a editora Hogarth Press que revelou escritores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot. Virginia sempre apresentou crises depressivas, e acabou cometendo suicídio em 1941.
Virginia também foi integrante do Bloomsbury, um círculo de vários intelectuais que, após a Primeira Guerra Mundial, se posicionou contra as tradições literárias, políticas e sociais da Era Vitoriana.


Por Jessica.


P.s: Vamos combinar de comentar de algo mais calmo na próxima vez.

quinta-feira, abril 15, 2010

"Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos."

(...) Depois tudo passou e Macabéa continuou a gostar de não pensar em nada. Vazia, vazia. Como eu disse, ela não tinha anjo da guarda. Mas se arranjava como podia. Quanto ao mais, ela era quase impessoal. Glória perguntou-lhe:
- Por que é que você me pede tanta aspirina? Não estou reclamando, embora isso custe dinheiro.
- É para eu não me doer.
- Como é que é? Hein? Você se dói?
- Eu me dôo o tempo todo.
- Aonde?
- Dentro, não sei explicar.
Aliás cada vez mais ela não se sabia explicar. Transformara-se em simplicidade orgânica. E arrumara um jeito de achar nas coisas simples e honestas a graça de um pecado. Gostava de sentir o tempo passar. Embora não tivesse relógio, ou por isso mesmo, gozava o grande tempo. Era supersônica de vida. Ninguém percebia que ela ultrapassava com sua existência a barreira do som. Para as pessoas outras ela não existia. A sua única vantagem sobre os outros era saber engolir pílulas sem ágúa, assim a seco. Glória, que lhe dava aspirinas, admirava-a muito, o que dava a Macabéa um banho de calor gostoso no coração. Glória advertiu-a:
- Um dia a pílula te cola na parede da garganta que nem galinha de pescoço meio cortado, correndo por aí.

Depois de falar de Clarice, pensei muito na ideia de colocar uma de suas obras mais conhecidas, "A Hora da Estrela". Esse foi a última obra de Clarice, que soou como uma despedida, já que pouco tempo depois ela morre - não gosto desses detalhes, afinal para mim, uma escritora como ela, jamais morre.
A história começa sendo narrada por Rodrigo S. M. , um escritor que chega a ironizar a própria obra, pelo estilo de narrativa que ele utiliza. O "narrador-personagem" conversa com o leitor, dizendo que se sente sufocado, e escreve porque se sente desesperado e cansado, e só escrevendo ele alcança novidades, e sem isso, já estaria morto. Após, Rodrigo revela que está escrevendo sobre a vida de uma pessoa tão simples - e está vestindo roupas rasgadas, faltando fazer a barba - , e durante o período que ele escreve (se dedica a esses livros), nem pensa, nem vê e faz nada que o influêncie.
Rodrigo conta a história de Macabéa (andei lendo uns detalhes realmente interessantes, e descobri que o nome da personagem vem de uma irônica comparação aos sete macabeus, personagens da bíblia), uma retirante nordestina, que logo após a morte de seus pais, passa a morar com uma tia, beata, que batia muito nela. Maca, muda-se de Alagoas para o Rio de Janeiro, passando a viver em um quarto com várias Marias na rua do Acre, só tinha até o terceiro ano do primário e trabalhando como datilógrafa - profissão da qual se orgulhava, mas não executava tudo com perfeição, errando diversas palavras, chegando quase a ser demitida, só que seu patrão, Raimundo, mediante o pedido de desculpas, diz que será "demitida mais adiante".
Macabéa era uma pessoa "vazia", fazia quase tudo mecânicamente, Rodrigo diz que ela "vivia em tanta mesmice que de noite não se lembrava do que acontecera de manhã". Quando sentia fome durante a noite, comia papel imaginando que era uma "coxa de vaca"; rezava toda noite (parou de frequentar a igreja, logo que sua tia morreu), mas não acreditva em Deus, porque ela não sabia como ele era, e para ela, ele não exitia.
Um dia, Maca mentiu para o patrão, dizendo que iria arrancar um dente, e pela primeira vez, deu-se o prazer de não fazer nada. Neste mesmo dia, pela tarde, ela arruma um namorado chamado Olímpio de Jesus - mentia se chamar Olímpico de Jesus Moreira Chaves, era nordestino também, e era uma pessoa muito pobre culturalmente, além de "judiar" muito da protagonista-personagem.
Uma das poucas coisas que Maca gostava, era tomar café frio (mesmo sentindo azia depois), pintar as unhas de vermelho, ir uma vez ao mês no cinema e ouvir uma através de um rádio emprestado, a chamada "Rádio Relógio" - com isso, novamente pode-se perceber a inocência que havia nela, e que foi literalmente "destruída": "Ouvia na Rádio Relógio que havia sete bilhões de pessoas no mundo. Ela se sentia perdida. Mas com a tendência que tinha para ser feliz logo se consolou: havia sete bilhões de pessoas para ajudá-la".
Pouco tempo depois, Olímpico termina o namoro com Macabéa, interessandos-se pela "colega de trabalho de Maca", a chamada Glória (Olímpico termina o namoro chamando ela de "cabelo na sopa", já a moça era "carioca da gema" e com ela obteria a ascensão social que tanto almeja.
Glória, se sente culpada e começa a conversar com Maca (tornando-se agora a única ligação que a moça obtém com o mundo), recomendando que ela vá em um médico (o "médico de pobre", que a trata mal e dá como diagnóstico o início de uma turbeculose, e receita um remédio que Maca não compra, acreditando que somente à visita ao médico irá curá-la).
Seguindo os conselhos de Glória, novamente, Maca vai a uma cartomante - chamada Madame Carlota -, onde recebe pela primeira vez a notícia que teria um futuro, se sente "grávida de futuro", mas acaba morrendo logo após, atropelada por um carro e tendo seu breve minuto como estrela (sendo rodeada por pessoas para ver seu corpo). Nesse exato momento Rodrigo também provavelmente morre com a Maca, acabando assim a história.
Comparo essa parte ao conto do Machado de Assis, gera o mesmo sentimento : um mistura de indignação com a situação de Macabéa, as injustiças que ela passou, e a certeza de que o final iria ser esse, por mais cruel que a realidade seja.
Por Jessica.
Sabe aquela sensação temporária do nada, a falta do "sentir" que Macabéa cita? Toda vez que termino de ouvir histórias que terminam de maneira previsível e inacreditáveis (para mim, isso é um paradoxo), como em A Hora da Estrela, O Mulato, e o conto do Machado que já citei, parece que elas afloram com um sentimento de culpa e impunidade, "não sei como agir com o mundo". Muito menos explicar tudo que falei anteriormente. Finjam que adiantou de algo.

quarta-feira, abril 14, 2010

'Daddy, daddy, you bastard, I'm through."






Ariel





Stasis in darkness.
Then the substanceless blue
Pour of tor and distances.

God's lioness,
How one we grow,
Pivot of heels and knees! -- The furrow

Splits and passes, sister to
The brown arc
Of the neck I cannot catch,

Nigger-eye
Berries cast dark
Hooks ----

Black sweet blood mouthfuls,
Shadows.

Something else

Hauls me through air ----
Thighs, hair;
Flakes from my heels.

White
Godiva, I unpeel ----
Dead hands, dead stringencies.

And now I
Foam to wheat, a glitter of seas.
The child's cry

Melts in the wall.
And I
Am the arrow,

The dew that flies,
Suicidal, at one with the drive
Into the red

Eye, the cauldron of morning.


Sylvia.



Por onde começar? Vou ver até onde consigo explicar esse livro de maneira mais viável. Ariel, antes de tudo, é um nome que vem da origem hebraica que significa Leão de Deus. Pode ser usando tanto para homens – Shakespeare o utilizou em sua peça A Tempestade, denominando o Espírito do Ar – e para mulheres – como fez Hans Christian Andersen na Pequena Sereia.
Ariel é o segundo livro de poesia da escritora norte-americana Sylvia Plath, foi publicado em 1965, dois anos após o seu suicídio da autora. A maior parte dos poemas de Ariel foram selecionados por ela e os que não estavam em seu manuscrito original foram adicionados por Ted Hughes, ex-marido de Plath.
Acredito que a melhor maneira de entender o poema, é olhar a narrativa original de "A Pequena Sereia", de Hans. Mermaids não consegue matar seu amor verdadeiro, perdendo assim sua própria vida como consequência, como Sylvia, que vive um martírio - comparo principalmente a situação em que as mulheres em geral viviam anteriormente - além do casamento conturbado que teve com Hughes (que terminou com uma separação). Nesse caso, Ariel seria a Sylvia, que tenta lutar até o fim, morrendo no final, e Hughes seria o príncipe, que não corresponde os sentimentos da amada, causando sua morte. Ou seja, "A Pequena Sereia", é um tipo de tema que é dito por alguns como intemporal na exploração filosófica da natureza do próprio amor.

Por Jessica.

P.s: Vou ficar devendo uma biografia por aqui. Os livros de Sylvia são realmente muito bons, só que estava realmente inspirada para colocar algo sobre ela. Algo específico. Achei um site com alguns dos vários poemas dela, < http://www.stanford.edu/class/engl187/docs/plathpoem.html > estão em inglês, mas são fáceis na lingua original - opinião própria.