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sábado, maio 01, 2010

"Já te ocorreu que talvez não sejas assim tão grande? Que talvez seja este espaço que é demasiado pequeno?"

Esse é um dos filmes mais lindos que já vi (ah, tudo bem, digo isso para todos os filmes do Tim, não tenho culpa se ele é realmente bom, sinto!).
Edward Scissorhands é um filme da década de 90, que mistura terror e fantasia, dirigido por Tim Burton ( que recentemente dirigiu o filme Alice no País da Maravilhas) , com roteiro baseado em história de Caroline Thompson e Tim Burton. Um dos primeiros filmes que misturam Johnny Depp e Tim Burton.
O filme conta a história de Edward, um robô, que foi criado por um inventor (Vincent Price, o rei dos filmes de terror que fez esse personagem, é um dos maiores ídolos de Burton), e como peculiaridade ele possui no lugar das mãos, tesouras. Quando ia ganhar as mãos de presente de seu pai no Natal, o inventor morre, deixando o jovem só no mundo Certo dia, uma vendedora de cosméticos da Avon, bate na mansão que Edward mora isolado, e acaba por decidir levá-lo para casa.
Entretanto Edward tem muita dificuldade em conviver, devido principalmente ao preconceito demonstrado pela vizinhança. Mas aos poucos e poucos se vai tornado popular devido aos talentos que tem.
Creio que esse filme retrata de certa forma a ignorância (os diversos tipos de preconceitos que Edward passa, é um bom exemplo disso), ou seja, volto novamente à alegoria de Platão. A maioria dos filmes que vejo, pelo menos seguem essa linha, mas já que esse foi um dos primeiros que vi, gosto de sempre citá-lo. Além do mais, admiro os cenários feitos pelo Tim, são móbidos e os detalhes são decidimente lindos.

Por Jessica.

Esse filme é possível de achar em qualquer lugar, no links, sorry!
P.s: A frase que utilizei como título da postagem é de um outro filme do Tim, o chamado Big Fish. Quem sabe fica para uma próxima vez?!

terça-feira, abril 27, 2010

"O mais precioso dos perfumes"



Mas comer um homem? Nunca na vida se teriam julgado capazes de uma coisa tão horrível. E admiravam-se, mesmo assim, por terem cometido aquele acto com tanta felicidade e não sentirem, à excepção da falta de à-vontade, o mínimo peso na consciência. Pelo contrário! Tinham o estômago um pouco pesado, mas o coração alegre. Nas suas almas tenebrosas surgiu um repentino palpitar de alegria. E nos rostos pairava-lhes um virginal e suave brilho de felicidade. Era indubitavelmente esse o motivo por que receavam erguer os olhos e fitarem-se.
Contudo, quando se arriscaram a fazê-lo, primeiro de fugida e depois abertamente, não conseguiram reter um sorriso. Sentiam-se extraordinariamente orgulhosos. Era a primeira vez que faziam qualquer coisa por amor.


Estava tentando pensar o que escreveria hoje. Isso é algo tão difícil. É realmente confortante, mas adquirir ânimo em instantes para escrever algo bom, é tão demorado! Depois descarto o excesso, deixando somente o necessário - se é que isso existe.
Das Parfum, die Geschichte eines Mörders - O Perfume, História de um Assassino - é uma obra do escritor alemão, Patrick Süskind, foi publicado pela primeira vez em 1985. O livro foi inspirado nas teorias de Freud, e conta a história de Jean-Baptiste Grenouille, um homem que possui um olfato extremamente apurado, mas não "consegue sentir o próprio cheiro".
O "carrapado de Grenouille", como é chamado desde o início da obra, nasce no meio das tripas de peixe atrás de uma banca, tendo sua mãe executada tempo depois por infanticídio, passando assim pelos mais variados "tipos de maus-tratos". Após, é abandonado pela ama de leite, e é mandado a um orfanato (acaba assustando as crianças que tentam matá-lo), no qual descobre o "dom" que obtém. Durante a história, somente reparará na sua ausência de odor bem mais tarde, e será "compensada" de certa forma, pela criação de perfumes, que chegam a ser mais ou menos atraentes, utilizados por Grenouille, a fim de ser notado pelos outros.
Trabalhou como aprendiz de curtidor de peles e aprendiz de perfumista, e graças ao seu "dom", enquanto foi aprendiz de perfumista aprendeu diversas técnicas para a criação de perfumes - sendo um deles especial, o "perfume do amor".
Grenouille um dia encontra uma jovem, com um perfume totalmente diferente - guarda esse cheiro na memória -, e acabará por matá-la, já que o desejo de apoderar-se do seu odor. Mas, esta jovem é apenas uma das muitas jovens que o protagonista acaba por matar, tudo em busca do perfume perfeito - feito que adquire no final da obra.
Para finalizar "com chave de ouro", o "carrapato de Grenouille" volta a Paris - depois de ser perseguido e obsorvido das acusações de assassinato, relativo as várias jovens - e é partido aos bocados e comido por pessoas devido ao efeito do perfume que tinha posto: um final trágico para o protagonista - que fez uma das maiores descobertas da humanidade, o "odor do amor".

Devo detalhar que o objetivo principal da obra, que se chama "O Perfume", serve para encobrir o mundo dos fedores, dos crimes, das injustiças e da hipocrisia que caracterizam a cidade de Paris durante o século XVIII.

Por Jessica.

Livro, para quem sentir uma breve vontade < http://www.reidoebook.com/2009/06/o-perfume-historia-de-um-assassino.html > , e o filme é bom, gostei, mas nada substitui o livro, acreditem nisso!

domingo, março 28, 2010

Alice, Alice, Alice.


“Como tudo é esquisito hoje! E ontem tudo era exatamente como de costume. Será que fui eu que mudei à noite? Deixe-me pensar: eu era a mesma quando levantei hoje de manhã? Estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma, a próxima pergunta é: quem é que eu sou? Ah, essa é a grande charada”.
(op.cit: 26 , CARROLL, Lewis. Alice no País das Maravilhas. Porto Alegre: L&PM Editores, 2005.)

Quem nunca ouviu falar de Alice no País das Maravilhas? Alice's Adventures in Wonderland, que é abreviado para "Alice in Wonderland" é um clássico da literatura criada pelo professor de matemática, o inglês Charles Lutwidge Dodgson, sob o pseudônimo de Lewis Carroll. Alice foi publicada em 4 de julho de 1865.
Essa é uma obra do gênero literário nonsense - surrealismo (foi a corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente). O livro conta a história de Alice, uma menina que cai na toca de um coelho sendo transportada para um lugar fantástico, que vivem criaturas extraordinárias e antropomórficas, revelando a lógica do absurdo, que é característica dos sonhos. O livro está repleto de alusões satíricas dirigidas tanto aos amigos como aos inimigos de Carrol
, com várias paródias e poemas populares infantis ingleses ensinados no século XIX e também de referências linguísticas e matemáticas frequentemente através de enigmas que contribuíram para a sua popularidade. É assim uma obra de difícil interpretação pois contém dois livros num só texto: um para crianças e outro para adultos. Este livro é uma continuação da obra do mesmo autor Alice do Outro Lado do Espelho.
Tanto a Alice como a Alegoria da Caverna de Platão, são um conjunto de metáforas, e ambas – como citei logo a cima – possuem várias indiretas mescladas ao decorrer do livro.
Para ter uma noção da caverna de Platão, basta imaginar um muro bem alto separando o mundo externo de uma caverna. No interior da caverna existem seres humanos, que nasceram e cresceram ali. Na caverna existe uma fogueira, sendo esta a única fonte de iluminação permitida para os prisioneiros, que possuem grilhões e sempre ficam de costas para o fogo vendo somente as sombras refletidas na parede, tendo elas como a sua única verdade.
A Alegoria da Caverna é um conjunto de metáforas que demonstram a importância do conhecimento, e o penoso caminho para adquiri-lo. O mito cita também, nas entrelinhas, a ignorância e as formas de superação da mesma, fazendo o prisioneiro da caverna encarar a realidade de forma verdadeira, não apenas através da visão de “sombras projetadas na parede”.
Tanto Carrol como Platão citam a caverna como o começo de tudo, e ambos os protagonistas tem como objetivo principal tentar sair do mundo das ilusões em que ambos viviam. Sócrates – narrador do mito – é morto por “saber demais”, já que ele atuou como um iconoclasta (é bom ter em vista, que a alegoria quando foi escrita, tinha como alvo a política, a pólis grega, só que o mito acabou se aplicando a quase tudo que significasse uma repressão). Alice, quando entra na caverna, passa por uma série de seres inanimados, que obtém na maioria das vezes a própria opinião como a base de tudo – cito a Rainha de Copas, que se enquadra muito bem nesse papel.
O conhecimento é árduo e dolorido, por isso, o prisioneiro ao ser puxado á força da caverna de Platão sente dor nos olhos (órgão do entendimento) logo ao ver a fogueira (que simboliza a verdade). Quando o prisioneiro continua seu caminho e após sair da vez da caverna encaram o bem, que é representado pelo sol. Pouco a pouco ele vê o mundo que via anteriormente só por sombras passando da ignorância para “doxa”, e depois finalmente ao conhecimento.
Alice, como o prisioneiro, ao decorrer do livro sente várias dificuldades, e chora com medo de não conseguir sair da caverna, mas acaba obtendo êxito no final do romance.
Cai entre nós, se eu fosse colocar todas as semelhanças entre as duas obras, era capaz do texto ficar mais massante do que já se encontra (sinto que está realmente chato, resumindo). Vamos agora para uma dica muito, extremamente boa para quem não gosta de ler ( se você já leu isso daqui, merece um Nobel para paciência meu caro despreocupado leitor!). Saiu esse mês uma nova versão do filme de Alice no País das Maravilhas, com direção de um dos maiores mestres do cinema, meu amado Tim Burton. { http://www.youtube.com/watch?v=DeWsZ2b_pK4}.


Até mais (isso cansa, mas é tão bom).

Por Jessica.